Olhares sobre a Covid-19, Marco Zero: Israel, por Ilana Goldsmid

Conteúdo apoiado pelo Itaú Cultural


Os primeiros casos de covid-19 em Israel foram confirmados no dia 21 de fevereiro de 2020, quando passageiros que viajavam em um cruzeiro pelo Japão foram diagnosticados e repatriados.

Então, Israel começou a aplicar o distanciamento social. As reuniões foram restritas e, no dia 19 de março, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu declarou estado de emergência nacional. Os israelenses não tinham mais permissão para deixar suas casas, a menos que fosse absolutamente necessário, e estabelecimentos foram fechados. Templos religiosos, inclusive.

Pela primeira vez na história, a sinagoga de Jerusalém permaneceu fechada durante um Shabat, por conta da pandemia.

A fotógrafa carioca Ilana Goldsmid chegou a Israel em agosto do ano passado. “Lembro que no fim de semana que começaram a falar sério com a população eu estava a caminho da casa de um amigo, no Norte do país”, recorda. “Os responsáveis pelo centro de imigração ligaram avisando que estava proibida a entrada de estranhos na cidade, em razão do vírus. Mas eu já estava a caminho e fiquei mesmo assim”, conta.

No sábado, a comunicação governamental ficou mais séria e Ilana decidiu voltar no primeiro trem para Israel, antes que começassem a suspender o transporte intermunicipal. “No domingo, fiquei com minhas sobrinhas, para minha irmã trabalhar em home office. Era o primeiro dia das escolas fechadas”, lembra. “Depois disso, passei um bom tempo sem vê-las, apesar de elas morarem a cinco quarteirões da casa dos meus pais.”

A quarentena em Israel, segundo Ilana, não foi seguida com disciplina pela população local, apesar do toque de recolher e da obrigatoriedade do uso da máscara. “Houve desobediência nas localidades ortodoxas, onde o percentual de infectados ficou muito acima da média, o que levou a regras específicas para essas localidades e atuação ativa da polícia”, lembra. “A máscara é obrigatória, sendo a falta dela sujeita a multa, o que dói no bolso – embora a maioria use, vi várias pessoas sem”.

Ilana mora com os pais, que fazem 78 e 80 anos em 2020, no centro da cidade de Jerusalém. Eles são do grupo de risco, logo, mais um motivo para obedecer a quarentena. Os passeios se restringiram aos 500 metros de distanciamento de casa permitidos para fazer exercício físico.

“Eu sou solitária por natureza, então as restrições de isolamento não são tão incômodas para mim”, explica. “Neste período, virei instrutora de alongamento dos meus pais, jardineira (eles têm uma varanda com plantas), personal organizer (consegui que doassem metade das coisas acumuladas que não servem para nada e arrumar o que sobrou de modo mais racional), comecei a estudar hebraico com minha mãe (o que não durou muito)”, brinca. “De resto, a rotina normal de arrumação da casa, cozinhar, filmes juntos e tempo individual”.

As sinagogas foram fechdas para evitar aglomerações. Agora já podem fazer serviços religiosos ao ar livre.
No dia da independência todas as prefeituras comemoram com shows de música e fogos de artifício. Durantee o Corona um carro de som passou pelas ruas.
Vi um desenho parecido no relato de uma brasileira que morava em Portual. Assim como o virus as manifestações foram globalizadas.

Publicado no dia 03/07/2020, no site do Itaú Cultural:
itaucultural.org.br/olhares-sobre-covid-marco-zero-relato-4

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