O adeus à fotografia de Daido Moriyama

Glauber Rocha contava que um dia Jean-Luc Godard pediu para ajudá-lo a destruir o cinema. Isso aconteceu dois anos após o lançamento de “Um filme como os outros”, longa-metragem sem créditos ou qualquer identificação de autoria. Uma das formas que o diretor de “Acossado” encontrou para sabotar o cinema, subverter o meio e destruir o conceito de autor, não muito tempo depois do Maio de 68.

Dizem ainda que o desprezo de Godard ao cinema tradicional era tamanho que ele orientava o projecionista a tirar na sorte de um cara ou coroa a ordem de projeção dos rolos do filme.

Espírito do tempo: no início da década de 70 o fotógrafo japonês Daido Moriyama também andava frustrado com tudo, inclusive com a fotografia, particularmente com seu próprio trabalho.

“Havia no ar um sentimento de irritação com todas as coisas e eu pensei ‘quero descontruir a fotografia por completo'”, explica Moriyama, em uma entrevista.

Ato continuo, o fotógrafo entregou a seu editor um punhado de negativos danificados dizendo que ele poderia publicar o material como bem entendesse.

O resultado é o livro Farewell Photography, de 1972, segundo livro de Moriyama, que um ano depois desse adeus voltou à fotografia com um livro inspirado no On the road, em Jack Kerouac: A hunter.

about light – daido moriyama – selfportrait kagami-japan-1999

 

Cassiano Viana (@vianacassiano) é editor do site About Light

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Veja galeria Farewell Photography, de Daido Moriyama aqui

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