A evolução da fotografia segundo a FujiFilm

A fotografia chegou no Japão em 1848, nove anos depois da invenção do Daguerreótipo. Segundo contam, com um daguerreótipo que havia embarcado em um navio na Alemanha, um dos poucos países que tinham, na época, relações comerciais com o Japão.

Em 1850, acontece a abertura dos portos do país, que assina tratados comerciais com diferentes países. O Japão se abre para o mundo e logo mais câmeras e fotógrafos passam a entrar no país.

Por volta de 1903, em plena Era Meiji – quando os japoneses já dominam o conhecimento necessário para criar suas primeiras indústrias – o Japão inicia a fabricação de câmeras, a partir de modelos e componentes comprados da Europa. Ato continuo, o governo japonês estabelece uma política para estimular a produção de filmes e equipamentos fotográficos no país.

É nesse contexto que, em 1934, é fundada – a partir de um spin off da Dainippon Celluloid Company, a primeira fabricante japonesa de filme de cinema – a Fuji Photo Film.

A escolha do nome não poderia ser mais acertada: o nome é uma referência à mais alta montanha de todo o arquipélago japonês, o Monte Fuji, o ponto culminante do Japão.

Não demorou muito para a Fuji Photo Film, a primeira fabricante japonesa de negativos, dar, ainda na década de 40, os primeiros passos na fabricação de lentes, câmeras e outros equipamentos. A primeira câmera, a Fujica Six, foi lançada em 1948.

Com o crescimento econômico e o boom da indústria de máquinas fotográficas durante o pós–guerra, em 1965 a empresa iniciou a expansão para os EUA, e poucos meses depois abriu escritórios na Europa, mais precisamente na Alemanha, com quem o Japão já disputava a primazia da fabricação de equipamentos fotográficos.

De lá para cá, como dizem, o resto é história. Hoje o Japão lidera o desenvolvimento e a fabricação de câmeras no mundo. E a Fujifilm, nome adotado a partir de 2006, continua no topo da montanha.

A Fujifilm é um exemplo de como a indústria japonesa de fotografia se consolidou e evoluiu ao longo dos anos. A empresa foi a primeira a desenvolver, por exemplo, a câmera digital, a câmera de fotografia instantânea e as câmeras híbridas que unem o analógico e o digital em um único equipamento.

“De modo geral, ao longo dos anos as formas de capturar e materializar a imagem – através da ampliação ou impressão – evoluíram bastante”, diz Vinicius Graner, especialista de produto da Fujifilm, responsável pela X Series no Brasil. “Basta pensar que, no início do século passado, era preciso carregar câmeras grandes e pesadas, chapas de vidro e tripés”, recorda.

Para o especialista, a entrada em produção das primeiras câmeras compactas e a popularização do filme de 35mm foram revoluções tão marcante quanto a invenção dos equipamentos digitais e da popularização da fotografia via smartphones.

Segundo ele, apesar da consolidação e maior procura pela fotografia digital, a Fujifilm nunca abandonou seus investimentos no segmento analógico: “Acompanhamos de perto as várias ondas de redescoberta e a paixão recente pelo filme “, diz.

Ele conta que a fábrica da Fujifilm no Japão centraliza a produção de negativos, inclusive aqueles que são vendidos para o Brasil.

“O maior comprador desse tipo de produto ainda é o europeu. Mas vemos, nos últimos anos, no mundo inteiro, uma procura crescente por filmes. Este continua sendo, para a Fujifilm, um mercado importante”, conta.

Tão importante que a empresa – que neste ano comemora 60 anos no Brasil – criou o Original Lab, para certificação de laboratórios profissionais de revelação e ampliação de fotografia profissional.

Para Vinicius, o mercado de imagem sempre se renova. “Não faz muito tempo, o smartphone tomou o lugar ocupado pelas câmeras compactas. Com o Fotolog, e posteriormente com o Facebook e Instagram, as pessoas começaram a registrar e compartilhar praticamente em tempo real o cotidiano, o que levou à uma produção maior de fotos”, explica.

“Consequentemente, o amante da fotografia passou a procurar equipamentos mais profissionais, as chamadas câmaras de entrada, com mais recursos, que permitem a troca de lentes e que simulam o clique do obturador e a sensação da captura da imagem dos equipamentos analógicos “, diz.

Segundo Vinícius, nos próximos anos – com o número crescente de fotógrafos profissionais atuando como videomakers –, os equipamentos deverão estar cada vez mais adequados para atender esses dois segmentos, com maior resolução e capacidade de armazenamento.

“De modo geral, até as câmeras amadoras vão se tornar mais profissionais, devido ao maior uso doméstico e do crescimento do segmento amador avançado, um nicho cada vez mais forte de mercado”, avalia.

“Talvez a maneira de fotografar se transforme, ela sempre se transforma, mas sempre vão acontecer momentos especiais que serão experimentados pela arte de fotografar”, conclui o especialista.

 

Cassiano Viana (@vianacassiano) é editor do site About Light

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