Nada de humano era alheio a Robert Mapplethorpe

Em uma entrevista na Interview, Patti Smith afirma que Robert Mapplethorpe gostava de assuntos difíceis e que longe de ser um fotógrafo acidental, sabia muito bem o que estava fazendo, e que a honestidade e o envolvimento pessoal faziam parte do processo criativo.

“Robert did shocking work”, explica. ” He didn’t shoot and then find something cool in the images later. He knew what he wanted, got it, and that was it.”

Sendo a fotografia uma forma mais rápida de criar:

“Robert knew about photography. He had taken pictures before, with a 35 mm. But he wasn’t so interested in the darkroom process. He liked the Polaroid because it was fast. Then he was seduced by photography in general—but, again, because of its speed.”

No texto que abre o livro Certain people, Susan Sontag observa que os retratos de Robert Mapplethorpe registram muito mais o que, para muitos, seria o boletim de encontros e o impulso colecionador de Mapplethorpe, ilustram ainda os sentimentos que tinha com seus objetos do seu desejo: afeto, lascívia, laço romântico, admiração, ilustrava não só o, mas a amplitude dos interesses de um grande fotógrafo.

“Mapplethorpe quer fotografar tudo, ou seja, tudo o que é possível fazer posar. (Por mais ampla que seja a sua temática, ele jamais poderia tornar-se um fotógrafo de guerra ou um fotógrafo de acidentes de trânsito.) ”

“Nada de humano me é alheio, dizia o fotógrafo”, lembra Sontag, para quem Mapplethorpe não estava à procura do momento decisivo ou do desejo que suas fotos fossem reveladoras. Não a verdade a respeito de algo, mas a sua versão mais forte.

“Ele não mantém uma relação predatória com seus temas. Não é voyeurístico. Não tenta apanhar ninguém desprevenido. As regras do jogo da fotografia, como joga Mapplethorpe, ditam que o tema deve cooperar — deve ser iluminado”, escreve Sontag.

Ainda no texto de Sontag:

“Certa vez perguntei a Mapplethorpe o que faz consigo quando posa para a câmera, e ele respondeu que tenta encontrar a parte de si que é autoconfiante”.

E foi dessa forma que Mapplethorpe fotografou não só futuros ícones – como muito em observa Patti Smith, na época, ela e mesmo pessoas como Ginsberg e Corso, eram desconhecidos e falidos –, mas desconhecidos que hoje desapareceram, restando apenas certas imagens/certos de Mapplethorpe, encontradas, induzidas ou ajustadas a uma certeza a respeito de si mesmas.

 

Cassiano Viana (@vianacassiano) é editor do site About Light.

 

Robert Mapplethorpe – Certain people – cover book1

 

Veja galeria Certain People: A Book of Portraits, de Robert Mapplethorpe, aqui

 

Veja galeria Certos Mapplethorpe aqui

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