Brassai e os camaradas da quebrada

“But I think that it ‘s certain that one doesn’t only photograph with the eyes but with all one’s intelligence.”

Brassai

p/ Leonardo Marona

Eu sou apaixonado pelas fotografias que Brassai tirou da vida noturna de Paris, da madrugada parisiense, no início dos anos 1930. Elas me lembram sempre um filme noir, remetem a Ascensor para o cadafalso, o filme de Louis Malle e aquela trilha sonora maravilhosa de Miles Davis, sobretudo o tema Générique.

Curiosamente, o filme noir apareceria, ou seria definido como tal, uns bons anos após Brassai capturar aquelas imagens, ali pelo início da década de 1940, inspirados nos romances policiais e de suspense da época da Grande Depressão, na estética dos filmes de terror dos anos 30 e no expressionismo alemão.

Preto e branco e alto contraste.

Brassai, aquela cara de Nosferatu cigano, aquele nome húngaro, Gyula Halasz, nasceu na Transilvânia, trabalhou na revista Minotaur e foi amigo de poetas e grandes artistas como Jean Cocteau, Salvador Dali, Picasso, Henry Miller, Henri Michaud, Raymond Queneau e Pierre Reverdy. Os camaradas da quebrada.

E além de tudo, escrevia muito bem. Seu livro sobre Proust e a Fotografia, publicado no Brasil já faz alguns anos pela Jorge Zahar, é um primor.

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Cassiano Viana (@vianacassiano) é editor do About Light

Veja galeria de fotos de Brassai aqui

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