Luís Capucho: de casa em casa, uma turnê afetiva e um novo disco

Luís Capucho tem feito um périplo de apresentações voz e violão pelas casas de amigos. Uma turnê afetiva, como ele diz, que aproveita a presença do guitarrista Vitor Wutzki, de Campinas, no Rio de Janeiro.

Algumas canções estão em seus discos. Outras, são inéditas. “Tem um centro que é mais ou menos fixo, com material do Lua Singela, Cinema Íris, Antigo, Poema Maldito e inéditas, que estarão no novo disco”, explica. “Eu vou mudando as beiradas”.

Para Capucho, essa é uma oportunidade de apresentar o que ele já vem construindo há um tempo, desde que conheceu Vitor.

” Conheci o Vitor quando fui tocar na Unicamp, em 2015, acho. Aí, desde que lancei o Diário da Piscina, ele tem me acompanhado nas apresentações. Como ele veio passar o verão no Rio, estamos fazendo o De Casa em Casa”, diz.

“Cada um dos De Casa em Casa tem sido muito especial, ao jeito do anfitrião e ao nosso. Os shows têm sido lindos, cheios de amor, e, por isso, importantes demais pra mim”, diz Capucho, que se apresenta dia 29/3, na Audio Rebel, e faz participação, no dia 31/3, do show de Bruno Cosentino, no Parque das Ruínas.

“Se alguém quiser agendar algum show, o Vitor fica aqui no Rio até o final de abril. Em maio ele vai pra Portugal. Aí, isso acaba”, informa.

Nesse processo, Capucho e Vitor vem ensaiando para a gravação de um novo disco, que se chamará Homens Machucados e que terá produção de Bruno Cosentino, a participação de Mari Romano, no baixo, e Hudson Rabello, na bateria e que será gravado dia 14 de abril, no Estúdio Sideral, de Martin Scian. Serão oito faixas.

Em uma entrevista recente, Ney Matogrosso chama Capucho – que tem canções gravadas por Cassia Eller (Maluca), Pedro Luís e a Parede (Astronauta Tupi), Daúde (Romena) e por Bruno Cosentino (Eu quero ser sua mãe), de uma lenda, “um compositor extraordinário”, um Jean Genet, onde “tudo é muito explícito. De uma forma que nunca vi antes na música brasileira”, afirma o cantor.

Capucho estreou como compositor e cantor em 1997, no CD coletivo Ovo, com a faixa O amor é sacanagem, junto com Pedro Luís, Fred Martins, Bia Grabois e Mathilda Kóvak – a turma que se autodenominou Retropicalista.

“Eu perguntava a Mathilda o que era o Retropicalismo e ela nunca respondia o que era”, lembra. “Eu vejo com simpatia o nome, mas não sou muito consciente de uma turma, de uma geração de compositores que representassem juntos uma mesma coisa que pudesse ter um único nome”, diz.

“Me sinto meio deslocado nas turmas, por uma série de circunstâncias. Mas eu gosto da ideia de conseguir chegar nelas e formar um núcleo, um tronco e ficar mais forte.”

Bruno Cosentino conheceu Capucho na estreia do disco Amarelo, no teatro Café Pequeno, em 2016. “Convidei o Luís pra participar do show e a partir daí ficamos amigos. Um dia ele me mostrou Homens Machucados, a canção, e achei uma obra prima. O papo foi rolando e surgiu a ideia de eu produzir o disco”, lembra.

“O Capucho é um transgressor que está sempre na beirinha, com suas canções que se alçam dali perturbadoramente lindas, labirínticas; criam um mundo próprio em ritmo, som, palavras, do qual a gente, quando ouve, passa a fazer parte, como num sonho já não conseguimos fazer distinção entre o que é fantasia e o que é realidade”, diz Cosentino.

 

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Cassiano Viana (@vianacassiano) é editor do About Light.

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