Juliana Amato escreve três poemas inspirados no conto A auto-estrada do sul, de Julio Cortázar

I
eu vou encontrar você
dia a dia
parada na mesma ponte
no mesmo quarto
na mesma casa
na mesma estrada

(vento nos cabelos)

segurando uma carcaça

 

II
entre meus dedos
você, a estrada
e o vento

a sua mão
(toca a minha, rapidamente
e se afasta)

a sua mão
um mapa ao contrário
uma história ao contrário
uma perda, uma pedra

 

III
o perfil cansado a curva
dos seus lábios:
não ao movimento

ou uma borboleta
muito branca
muito breve

eu vou procurar você
todas as horas
mesmo que o veneno
mesmo que linhas a lápis
num caderno

/

 

Juliana Amato (julianaamato.com) observa e escreve.

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